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Avanço de facção em território dominado por grupo rival seria motivação de sete mortes em Alvorada

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Era madrugada da segunda-feira passada quando pelo menos cinco criminosos invadiram uma casa no bairro Formoza, em Alvorada. Um a um, integrantes de uma família foram dizimados. Primeiro, Paulo Sérgio da Silva Ferreira, 38 anos, companheiro de Sabrina Alves Faller, 24. Depois de ver o marido ser morto, a mulher foi arrastada pelos atiradores para a rua e obrigada a indicar a casa de sua mãe, sendo morta em seguida. A familiar de Sabrina, Samara de Lourdes Alves, 41, foi o próximo alvo. Por último, o companheiro dela, Leandro Tornes, 35.

Cobiçado por traficantes, o bairro Formoza convive há uma semana com clima de insegurança. Além das quatro pessoas da família, outras três foram assassinadas — todas na mesma região entre a segunda e a terça passadas. A situação contraria a perspectiva de queda de homicídios na cidade, esperada para este ano. Na comparação entre o primeiro trimeste de 2019 a igual período de 2018, houve redução de 36,8%. Antes do conflito, a região era dominada por apenas uma facção, segundo o delegado Edimar Machado de Souza, titular da Delegacia de Homicídios. Mas outro grupo, menor em relação ao rival, decidiu ampliar o controle de bocas de fumo. É a situação ficou tensa, com mais mortes.

— É a demonstração de força frente à facção rival — diz Machado.

Para conseguir ampliar o território, o grupo menor teria pedido apoio para comparsas de Porto Alegre. O reforço armado ajudou a espalhar o medo pela região, mas a vinda tem outro significado. Desconhecidos na cidade, sua identificação e localização acabam se tornando mais difíceis, fazendo com que as investigações demorem mais tempo.

Dos sete mortos, apenas dois teriam envolvimento com o tráfico: uma adolescente de 15 anos e o companheiro dela, Patrick Dutra da Silva, 20 anos. Os dois foram executados em uma casa na Rua E. Conforme o delegado, o local é considerado ponto de venda de drogas. Não se sabe se eles estariam ali para traficar ou para comprar entorpecentes. As outras pessoas teriam sido mortas por estarem em local e hora errados. Das quatro vítimas da família, só os homens tinham antecedentes por roubos e furtos. Segundo o delegado, Sabrina e Samara moravam no local havia mais de 10 anos.

— O que falta identificar é por que foram direto nessa família. Em princípio, não estariam ligados ao tráfico — observa Machado.

Também não se identificou por enquanto envolvimento com venda de entorpocentes na morte de  Marcelo Henrique Gomes, 26. Ele foi baleado por homens que estavam em um Voyage prata e chegaram atirando. O crime aconteceu na Rua Tasso Fragoso em 9 de abril.

Reforço em policiamento

Brigada Militar / Divulgação
Abordagens se tornaram mais frequentes nas ruas do bairro FormozaBrigada Militar / Divulgação

Desde os primeiros crimes, entre segunda e terça-feira da semana passada, a Brigada Militar reforçou o policiamento nos bairros Formoza e Umbu. Conforme o comandante da BM de Alvorada, major Jefferson Marques de Melo, um contingente de PMs — de número não revelado — foi enviado à cidade pelo Comando de Policiamento Metropolitano. Passaram a circular carros e motos da BM. Um helicóptero sobrevoou a região.

A intenção era devolver a sensação de segurança aos moradores e evitar novos ataques. A medida teve efeito positivo: no fim de semana, nenhuma morte foi registrada.

— Estamos analisando a situação diariamente. Não deixaremos de monitorar as vilas Formoza e Umbu, de onde são os líderes das facções — observa o oficial.

Doze pessoas foram presas em ações da BM — sendo quatro foragidas. Segundo o delegado, nenhuma teria envolvimento com as sete mortes. Os PMs apreenderam três armas, 835 pedras de crack, cocaína e tijolos de maconha.

Fonte: GauchaZH

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