Atleta quatro vezes campeão paralímpico na bocha morreu aos 39 anos por insuficiência cardíaca e será velado na manhã desta quinta-feira, em Mogi das Cruzes, SP. Um dos maiores nomes da bocha adaptada mundial, Dirceu Pinto será velado na manhã desta quinta-feira, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. A despedida começa às 9h, no velório municipal, e será aberto para amigos e familiares com controle especial diante das recomendações de prevenção ao novo coronavírus.

O atleta estava em casa quando se sentiu mal durante a madrugada da última quarta-feira e foi encaminhado para o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, onde permaneceu internado até o meio da tarde, mas acabou falecendo vítima de insuficiência cardíaca. Dirceu sofria de distrofia muscular, estava afastado das competições há cerca de um ano, mas se preparava para retornar em 2020.

– Falar do Dirceu para mim é fácil. É um dos caras com espírito mais diferenciado que eu conheci em toda a minha vida. Veio ao mundo com uma missão, e acho que ele cumpriu essa missão. Ele revolucionou o esporte paralímpico não só no Brasil, como no mundo – enalteceu Evelyn Oliveira.

A campeã paralímpica da classe BC3 é apenas uma entre as centenas de atletas e instituições que prestaram homenagem para Dirceu Pinto desde a última quarta-feira. Após a notícia de sua morte foram várias as manifestações de carinho e reconhecimento não apenas pelas medalhas, mas também pelo seu trabalho como incentivador da bocha adaptada e do paradesporto. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi um dos primeiros a enviar condolências à família. O presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, também destacou a importância de Dirceu para a história da modalidade.

Sacrifícios pelo esporte

A carreira de Dirceu foi marcada pelo amor e a dedicação ao esporte. A primeira paixão, porém, veio das piscinas. Quando pequeno gostava de natação e já sonhava com os Jogos Olímpicos. O sonho era ser como seu ídolo, o campeão Gustavo Borges. Ele perseguiu esse objetivo até os 12 anos, quando descobriu a distrofia muscular. Insistiu por um tempo, mas teve que parar. Por felicidade, ele encontrou outra paixão e foi pela bocha que fez seu maior sacrifício.

Em 2005, Dirceu já colecionava bons resultados na BC4, mas foi classificado como ‘não elegível’ para a modalidade por apresentar mais força do que os outros atletas. Decidiu, então, abandonar a fisioterapia e acelerou a progressão de sua doença para continuar enquadrado na classe BC4. O atleta sabia que um dia só conseguiria andar de cadeira de rodas e antecipou essa data para poder voltar a jogar. A musculatura da perna enfraqueceu mais rápido. Assim, ele conseguiu disputar as Paralimpíadas de Pequim e escrever seu nome na história.

Lenda paralímpica

A primeira medalha de ouro conquistada nos Jogos de Pequim, em 2008, já representava um feito inédito: era a primeira vez na história que um paratleta brasileiro subia ao pódio na modalidade. Mas Dirceu foi além em seus recordes: último colocado no ranking, ele ganhou duas medalhas na China – no individual e nas duplas – e repetiu o resultado na Paralimpíada de Londres, em 2012, já como favorito e contabilizando um novo feito – até então, ninguém havia sido bicampeão na bocha adaptada. Em 2016, terminou com a prata nas duplas no Rio de Janeiro e se tornou o medalhista número um no quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos.

Fonte: GloboEsporteSP