Enquanto chefe do Executivo municipal adota cautela, comerciantes pressionam por fim do isolamento

Após três semanas de quarentena e sob pressão de entidades empresariais e comerciantes, os prefeitos gaúchos estão diante de um dilema: permitir a retomada da atividade econômica sob risco de expansão da pandemia do coronavírus ou manter o isolamento com inevitável desemprego e recessão nos próximos meses. Nas 18 maiores cidades do Rio Grande do Sul, a maioria dos governantes escolheu preservar a contenção social em prol da saúde pública, a despeito dos custos políticos e econômicos.
Entre os prefeitos dos municípios com mais de 100 mil habitantes, é praticamente unânime a lembrança da prefeitura de Milão, na Itália, onde as medidas de restrição foram afrouxadas após uma campanha denominada “Milão não para” incentivar a retomada da circulação urbana e culminar com 5,4 mil mortes na última semana.
A dissintonia entre municípios, Estados e União também inquieta ao governo federal. Para o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ideal é que as prefeituras atuem em conformidade com as orientações dos governos estaduais.
— Temos dialogado com os secretários dentro do que é técnico e científico. Por enquanto, mantenha as recomendações dos Estados. Porque ainda temos deficiências no sistema — justificou Mandetta.
Em reuniões conjuntas, prefeitos da Zona Sul e da Região Metropolitana têm defendido a manutenção unificada das medidas restritivas.
— A melhor resposta para tanta pressão, neste momento, é a informação. Salvando vidas, o impacto econômico será menor — afirma o prefeito de Alvorada, José Arno Appolo do Amaral.
No município de Alvorada, onde foram registrados até o momento quatro casos confirmados e 17 suspeitos aguardando resultado laboratorial de Covid-19, o prefeito Appolo publicou um novo decreto seguindo as orientações do Governo do Estado, entre as medidas protetivas ficou determinado através do decreto municipal, a proibição do comércio, liberando a abertura apenas de supermercados e farmácias, entre outros. Também há suspensão das atividades escolares municipais, proibição de eventos em locais fechados e suspensão da abertura de bares, restaurantes, lancherias e lojas de conveniência. Esses pode operar somente como tele-entrega.