Ministério da Saúde revelou, pela primeira vez, dados sobre pacientes com covid-19 que se recuperaram da doença. Segundo o secretário-executivo João Gabbardo dos Reis, até esta terça-feira (14), 14.026 pessoas já estavam curadas.

O número, no entanto, pode ser ainda maior.

— Acho que é muito mais do que isso, porque tem subnotificação. Principalmente daqueles que passam pela doença e nem sabem — comentou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, citando também os pacientes que não apresentam nenhum sintoma e não são contabilizados na estatística.

Até a tarde desta terça, 25.262 pessoas tiveram seu contágio por coronavírus confirmado no Brasil. Se a taxa de letalidade chega a 6,1%, os curados representam 55% da população infectada — considerando apenas pessoas que foram testadas. Outros 9.704 pacientes estão internados e aguardam confirmação de exames para saber se estão livre do vírus, informou Gabbardo. 

Mandetta destacou mais uma vez o caráter inédito da pandemia. Disse que será uma situação lembrada como “dramática” nas páginas da história da humanidade. Médico, o ministro utilizou o impacto do vírus em economias mais desenvolvidas para justificar sua preocupação com o Brasil.

— Este vírus está escrevendo a história natural da doença. A única coisa que estamos fazendo é por alerta de emergência internacional e de outros países. Quando nós vimos o sistema de saúde inglês cair, o de Nova York, o de Detroit, o de Roma, Itália, Espanha cair, quando vimos este conjunto de países de primeiro mundo, que têm sistemas de saúde muito robustos, caírem, é claro que o sistema de saúde brasileiro tem que ser extremamente zeloso para entender como que este vírus vai ser apresentar neste país — justificou.

Indicadores otimistas

Mais de 2,4 milhões de pessoas já receberam ligações do sistema que faz uma espécie de consulta por telefone. O diálogo automatizado pergunta se o indivíduo percebeu estar com algum sintoma de covid-19. As respostas dadas são armazenadas em um banco de dados que mapeia e acompanha possíveis casos.

De todas as respostas, 2,1 milhões de pessoas (92%) disseram não sentir nenhum dos sintomas do coronavírus. Outros 4,1% relataram alterações leves no organismo.

Os 3,4% que fizeram queixas de sintomas graves estão sendo acompanhados diariamente pelo sistema. Os telefonemas se repetem com perguntas sobre a evolução do quadro e indicações são dadas ao paciente.

— Estes números são importantes, porque, de toda a população, é uma amostra bastante significativa, mais de dois milhões de pessoas, 92% das consultadas ainda estão assintomáticas. Ou elas passaram pelo vírus, não tiveram sintomas e estão imunologicamente protegidas, ou ainda não tiveram contato com o vírus — detalhou Gabbardo.