O número de pacientes com suspeita ou confirmação de coronavírus internados nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) dos 17 municípios gaúchos mais populosos depois de Porto Alegre caiu na última semana. Levantamento feito entre quarta e quinta-feira mostra que 42 leitos de alta complexidade estão ocupados com casos de covid-19, o que representa 6,4% dos 653 leitos somados. Há sete dias, em pesquisa feita com os mesmos critérios, eram 68 casos, que ocupavam 10% da oferta de UTIs.

As cidades que apresentaram as maiores quedas do número de internados com confirmação ou suspeita de coronavírus na UTIs foram Canoas (de 22 para 8), Caxias do Sul (de 10 para 5) e Rio Grande (de 10 para 2). Apenas Pelotas (de 1 para 3) e Passo Fundo (de 8 para 10) registraram aumento.

Ao mesmo tempo em que internações por covid-19 recuam, a sobrecarga nas UTIs do Interior ganha força por outras doenças. Apesar da pandemia, doenças cardíacas, AVC e outras morbidades graves também sobrecarregam as unidades de terapia intensiva. Das 17 cidades, 15 operam capacidade de lotação acima de 50%, e oito já ultrapassam os 80%. No último levantamento, eram 13 cidades com operação acima de 50% e sete superior a 80%.

Além de operar próximo ao limite, seis cidades têm hospitais que estão com leitos de UTI do SUS totalmente ocupados: Bento Gonçalves, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Rio Grande e Santa Cruz do Sul. Na semana passada, eram apenas quatro cidades nesta situação.

Embora o Estado tenha prometido reforço nas UTIs, na última semana o número de oferta de leitos de terapia intensiva em funcionamento nas 17 cidades não se alterou. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirma que cidades como Canoas, Osório, Caxias do Sul, Passo Fundo, Bagé, Santa Maria, Taquara já receberam leitos.

Ao longo dos próximos dias, a secretaria promete quantificar o número de novos leitos em cada município.

A SES optou não por se manifestar sobre o levantamento feito pela Reportagem. O órgão afirma que irá se posicionar a respeito da demanda por leitos assim que o levantamento que está fazendo junto a 300 hospitais do Estado estiver concluído.

Na semana passada, em transmissão ao vivo no Facebook, a secretária de Saúde Arita Bergmann sinalizou que, com base em uma orientação do Ministério da Saúde, hospitais que tenham espaço físico, mas ainda não tenham todos os equipamentos necessários para uma UTI, possam adequar um leito de alta complexidade provisório por 90 dias, usando, por exemplo, leitos das áreas de recuperação e aparelhos de anestesia:

— Podemos partir para este plano B, agilizando e preparando nossa rede hospitalar para ter a retaguarda necessária.

Fonte: GauchaZH