As conversas virtuais foram intensas entre prefeitos da região metropolitana de Porto Alegre após o governador Eduardo Leite anunciar, no início da tarde desta quinta-feira (16),  novo decreto autorizando a retomada do comércio na Serra. Menos de 24 horas antes, Leite havia comunicado que 14 municípios da região de Caxias do Sul deveriam manter as restrições de funcionamento do comércio até o dia 30 de abril, medida também estendida a Porto alegre e mais 33 cidades dos arredores. Os prefeitos da Serra se mobilizaram, pressionaram, e Leite recuou. O comércio volta a abrir nesta sexta-feira (17) na região serrana, segunda mais afetada pelo coronavírus no Rio Grande do Sul. 

Apesar da reviravolta, os prefeitos do entorno da Capital consultados pela reportagem dizem que seguem favoráveis à manutenção do distanciamento social até o dia 30 de abril, já que a situação da pandemia é mais grave na região. O Consórcio dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), entidade que reúne 16 prefeituras, fechou questão pela manutenção das restrições. 

— Vamos respeitar até o dia 30 o decreto de fechamento do comércio, concordamos com ele. Logicamente, estranhamos o fato de a Serra ter sido incluída na restrição em um dia, e retirada no outro. Nós também sofremos pressões do comércio. O mais importante é que entendemos que o isolamento é muito importante, foi o que nos ajudou a conter a curva de contaminação — diz Margarete Simon Ferretti (PT), prefeita de Nova Santa Rita e presidente da Granpal. 

Prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier (PSB) também reforça o entendimento de manter o distanciamento por mais alguns dias devido à proximidade com Porto Alegre, onde está concentrado o maior número de casos de coronavírus.

— A pressão é forte. A decisão técnica fica de lado — disse Breier, comentando o recuo de Leite na Serra. 

Nelson Marchezan (PSDB), prefeito de Porto Alegre, mantém a convicção nas medidas de distanciamento social, que tem permeado suas manifestações desde o princípio da pandemia.

— Todos os decretos municipais devem permanecer até a data de vigência, no final de abril. Nossas ações nos colocam em posição privilegiada para podermos, com critérios técnicos, planejar alterações para os próximos meses. A única garantia é que continuaremos decidindo dentro de bases científicas — disse Marchezan. 

Em Canoas, o prefeito Luiz Carlos Busato (PTB) fez avaliação mais compreensiva: 

— Na Serra, temos muitos municípios pequenos em que a pressão dos empresários sobre os prefeitos é muito grande. Aqui temos cidades maiores e um agravante, que é estar ao lado de Porto Alegre, o epicentro (do coronavírus) no Estado. 

Já na cidade de Sapucaia do Sul, também no eixo cortado pela linha do Trensurb, o prefeito Luis Link (sem partido) declarou “estranheza” com a decisão de Leite.

— A única arma que temos é o isolamento e distanciamento. Parabenizei o governador ontem (quarta) pela manutenção da restrição na região metropolitana de Porto Alegre. Apoio isso e espero que ele não mude de ideia — disse Link. 

A prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB), não descartou que prefeitos façam movimentos isolados para pressionar por um retorno do comércio também nos arrabaldes da Capital. 

Ao anunciar a flexibilização das normas para a Serra, Leite afirmou que não visualiza condições para fazer o mesmo neste momento na Região Metropolitana, onde 34 municípios seguem com vedações para o funcionamento do comércio.