Trabalhadores da Saúde voltaram a ocupar a frente do gabinete do prefeito na tarde desta quarta-feira (22). Com faixas e cartazes, cerca de 20 funcionários da Mahatma Gandhi cobraram solução para o impasse que torna incerto o pagamento de salários e a própria continuidade dos serviços nos postos de saúde e nos centros de assistência psicossocial de Viamão.

Na tentativa de evitar um colapso na rede de Saúde pública, o comitê de crise montado pela Prefeitura criou dois projetos de lei para selecionar e substituir os trabalhadores dos Centros de Atenção Pisicossocial (CAPS) e das Unidades Básicas de Saúde (UBS). As propostas foram aprovadas pela Câmara de Vereadores em sessão extraordinária que invadiu a noite do feriado (21), mas as medidas não resolvem a curto prazo a crise que afeta o atendimento à população.

Os contratos do município com a terceirizada que faz a gestão dos quatro CAPS e de 17 UBSs venceram no mês passado. Ontem, logo após a aprovação das leis, a Mahatma Gandhi divulgou um comunicado oficial informando que não tem mais interesse na renovação. Reafirmou que não dispõe de recursos para o pagamento dos salários dos seus contratados e fez duras críticas à Prefeitura, que não conseguiu, segundo a empresa, apresentar solução para regularizar os repasses.

Sem receber os salários de março, os profissionais da terceirizada viam nos projetos de lei aprovados ontem a chance de manterem seus trabalhos. Mas a decisão da Mahatma de deixar a gestão das UBSs e dos CAPS, e a ausência de prazo para a seleção pública que preencherá as novas vagas, sem garantia de recontratação, levou os profissionais novamente a protestar. Na prática, o grupo decidiu por suspender os serviços.

– Ouvimos da empresa que é o último dia no município. Da Prefeitura e da Câmara, ouvimos que a Mahatma tem dinheiro para nos pagar. Mas o que estamos vendo é que, sem mobilização, não vamos receber – comentou uma das profissionais que participaram do encontro, mas que pediu para não ser identificada.

Em mais uma tentativa de resolver o impasse, uma reunião da direção da Câmara e representantes da Mahatma foi agendada para a tarde de hoje. Como os trabalhadores tomaram conhecimento do encontro e foram ao local protestar, a conversa foi cancelada.

Os vereadores André Guterres (PP), Guto Lopes (PDT) e Rodrigo Pox (PDT), que não participariam da reunião do Legislativo, acabaram por receber os representantes da terceirizada.

– É um Absurdo, o caos que está a Saúde da cidade. A empresa joga a culpa na Prefeitura, que devolve a culpa para a empresa – afirma o vereador Guto Lopes (PDT).

Já no fim da tarde, Russinho recebeu funcionários e representantes da empresa. O encontro foi a portas fechadas, e o teor da conversa não foi divulgado. Conforme o Diário de Viamão apurou com os profissionais que realizaram a manifestação, a Prefeitura não chegou a um acordo com empresa, e o pagamento dos trabalhadores permanece incerto.

Fonte: Abreu, C. – Diário de Viamão