O plano do governo de retomada gradual das atividades de ensino na rede pública gaúcha passa por um grande obstáculo: professores que deverão dar aulas remotas a todos os alunos já a partir de segunda-feira (1º) relatam falta de orientação sobre como proceder. A plataforma escolhida para viabilizar o ensino virtual nas escolas estaduais — o Classroom, do Google for Education — ainda é desconhecida por muitos. E diversos professores, tendo escolhido dar aulas por outras plataformas, não sabem se precisarão migrar para esse formato.

Conforme a Secretaria Estadual da Educação (Seduc), este primeiro momento deve ser de capacitação para que estudantes e professores se habituem ao ambiente digital. A pasta informa que vai capacitar todos os mais de 60 mil professores da rede pública por meio do chamado Letramento Digital, conjunto de metodologias para elaboração de aulas remotas que contemplará oficinas práticas sobre os recursos e ferramentas do Google for Education.

— Teremos tutores dentro da rede e estamos identificando professores e servidores com maior habilidade. Este início será de ambientação digital — explica o secretário estadual da Educação, Faisal Karam.

Mas os docentes explicam que não sabem, ainda, como será esse reinício de atividades. Conforme o Cpers Sindicato, que lamenta não ter sido consultado na elaboração do modelo de ensino remoto e posterior volta às aulas elaborado pelo governo do Estado, faltam orientações claras sobre como as aulas deverão ser ministradas, a partir de que conteúdo, de qual forma e com quais equipamentos.

A professora Rita de Cássia Assunção Lima, que dá aulas na escola estadual Matias de Albuquerque, no bairro Aberta dos Morros, extremo-sul de Porto Alegre, conta que tem dado aula para os alunos por meio do Facebook. Segundo ela, a maioria dos alunos tem acesso e conhece a rede social, então consegue se adaptar bem ao ambiente de aulas por ali. Ela não sabe, agora, se deverá passar a dar aulas pelo Classroom, como recomendado pela Seduc, ou se pode continuar o método que tem implementado.

— Para os meus alunos, optamos pelo Facebook em função do maior acesso dos pais e também a questão de custos, porque algumas operadoras não cobram pelos dados usados ali. Quanto à continuidade das aulas, a gente não recebeu nenhuma orientação oficial, não veio nada além daquilo que já foi divulgado na live do governador. Estamos aguardando orientações, se vamos continuar com a mesma metodologia, como serão os encaminhamentos… não veio nada oficial ainda — explica Rita.

Também descontente com a indefinição, a estudante Sabrina dos Santos, 18 anos, aluna da Escola Estadual Olindo Flores da Silva, em São Leopoldo, explica que a falta de familiaridade dela e de seus colegas com o ensino remoto tem prejudicado muito o aprendizado.

— Os professores não estão recebendo ajuda para ver como funciona (o Classroom). Têm professores que não têm como dar aula assim, e muitos alunos que também não conseguem estudar por EAD, seja por alguma dificuldade de se concentrar ou de entender o que está sendo passado. Eu não consigo aprender com EAD, preciso do professor, de momentos para me focar, questionar o professor. Pela internet, não temos como receber uma orientação boa, adequada — relata Sabrina.

As aulas deverão continuar sendo ministradas pelos professores a partir de suas casas. Conforme a Seduc, o governo está adquirindo Chromebooks, computadores com a finalidade específica de utilização na área educacional que serão disponibilizados para todos os educadores da rede, mas ainda não há garantias de quando isso vai acontecer. Já para os professores que não possuem acesso à internet e dispositivos tecnológicos para a elaboração das aulas, a secretaria afirma que as escolas funcionarão em regime de plantão, respeitando todos os protocolos de saúde, para que possam utilizar a estrutura da instituição de ensino.

As aulas contarão como carga horária e a presença se dará pela participação do aluno dentro ambiente virtual. O registro será feito através do Diário de Classe Online, a partir do aplicativo Escola RS. Ao todo, serão mais de 37 mil turmas espelhadas com mais de 300 mil ambientes virtuais divididos por disciplinas.

Fonte: GauchaZH