O número de casos suspeitos ou confirmados de coronavírus recuou 10% em uma semana e somava 69 pacientes internados em UTIs da Capital até as 13h desta quarta-feira (3), mas a covid-19 não é a única preocupação de médicos e gestores hospitalares nesse momento. 

Em hospitais como o Conceição e o Moinhos de Vento, que operavam com taxas de ocupação ao redor de 90%, a maior demanda por vagas é de doentes com outras patologias e não em razão da pandemia. 

Desde a quarta passada, o número de pessoas com exame positivo ou aguardando análise para covid variou de 77 para 69 nas alas de tratamento intensivo da cidade — das quais 48 confirmadas e 21 suspeitas. Uma semana atrás, eram 46 com teste positivo e 31 aguardando resultado. A ocupação geral das UTIs por todo tipo de caso, que é atualizada constantemente, permaneceu quase a mesma ao longo desse período: variou de 80% para 79,5% até as 13h desta quarta. 

Mas algumas instituições de referência na Capital se encontram bem acima desse patamar. O Moinhos, por exemplo, apresentava 94,6% de ocupação nos 56 leitos operacionais. Das 53 pessoas internadas, apenas quatro tinham o novo vírus. 

— Há cerca de duas semanas fomos surpreendidos pelo aumento de pacientes não-covid na UTI — afirma a chefe do setor adulto do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, Roselaine Pinheiro de Oliveira. 

Não há uma razão única ou muito clara para esse acréscimo, que se repete em outros locais. Roselaine avalia que pode refletir um aumento de outras doenças respiratórias ligadas ao inverno e o retorno de uma demanda represada de pacientes em razão da pandemia. Procedimentos eletivos foram suspensos até o final de abril na Capital, por exemplo, e muitas pessoas passaram a evitar hospitais com receio de uma contaminação por covid. Agora, além das UTIs, também se percebe nas últimas semanas um aumento nos atendimentos nos setores de Emergência e de blocos cirúrgicos. 

No Conceição, a ocupação média da UTI estava em 87% na tarde de quarta, mas os pacientes se concentravam principalmente nos 40 leitos não-covid. Além destes, há mais 29 lugares destinados a casos de coronavírus

— Nos leitos não-covid, nossa lotação é de cerca de 90%, contra 83% no espaço reservado para a pandemia. Nestas vagas covid, havia 13 casos confirmados e 11 suspeitos — observa o diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição, Francisco Paz. 

Paz afirma que, em razão dessa demanda provocada por outras patologias, está em andamento a entrega de mais 10 leitos não-covid. Havia uma expectativa inicial de que o novo espaço seria aberto ainda nesta semana, mas a liberação deve ocorrer dentro de mais alguns dias. 

Estabelecimentos de menor porte, como Independência (nove vagas) e Hospital da Restinga (10), chegaram a ficar com as áreas de tratamento intensivo lotadas. O diretor de Regulação da Secretaria Municipal da Saúde, Jorge Osório, avalia que o cenário é semelhante ao do mesmo período do ano passado: 

— Apesar da covid, o aumento da demanda pelo crescimento das doenças respiratórias sazonais está dentro do esperado. 

Fonte: GauchaZH