Porto Alegre tem menos de três semanas para reduzir o ritmo de internações em UTIs e evitar uma sobrecarga na rede de atendimento da cidade.

Os dados mais recentes de ocupação nas alas de tratamento intensivo demonstram uma tendência de o número de casos graves dobrar a cada 15 dias. Se isso se mantiver, o teto de 174 leitos disponíveis sem necessidade de reorganizar o sistema de saúde municipal seria atingido por volta do dia 4 de julho. 

A ampliação rápida de vagas, segundo gestores dos hospitais Clínicas e Conceição, esbarra na dificuldade para contratar profissionais habilitados – o que aumenta a importância do distanciamento social como medida de emergência a fim de evitar o colapso. 

— O problema, no momento, não é espaço, não é cama, não é respirador. Estamos com dificuldade para encontrar profissionais, além de termos 50 colegas afastados por terem contraído o vírus. Por isso, é fundamental a sociedade entender a gravidade do que está ocorrendo e ampliar o distanciamento social — alerta a diretora-presidente do Hospital de Clínicas, uma das referências para tratar a covid-19 na Capital, Nadine Clausell. 

Uma ferramenta digital desenvolvida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para monitorar a ocupação nas UTIs, que projeta a quantidade de novos pacientes com base nos dados dos dias anteriores, prevê que os 79 doentes em estado grave nesta segunda-feira (15) vão duplicar em cerca de duas semanas se for mantida a evolução dos últimos sete dias. 

Nesse ritmo, as 174 vagas possíveis para covid no Clínicas, no Conceição e em parte da rede privada esgotariam na primeira semana de julho. Outros dois patamares previstos no plano de contingência da Capital seriam superados também no próximo mês. 

Esgotamento

O segundo “teto” do plano prevê 255 vagas para coronavírus com abertura e remanejo de leitos em instituições como a Santa Casa e o Vila Nova, mas ficaria igualmente esgotado em 13 de julho. O limite máximo de 383 leitos possíveis para receber pacientes da pandemia, em um cenário já quase caótico, seria insuficiente a partir do dia 24 do mesmo mês. 

Mas há problemas para seguir ampliando a rede. Além do Clínicas (que já abriu mais 56 de 105 vagas previstas), o Conceição enfrenta dificuldades para aumentar o espaço de tratamento intensivo em geral. 

— Queríamos abrir seis leitos nesta semana, mas três médicos positivaram (para covid) e tivemos de adiar os planos. Também temos até 18 leitos para abrir no Cristo Redentor, dos quais lançaríamos 10 agora como retaguarda, mas esbarramos nas restrições de equipe. Há poucos profissionais habilitados — confirma o diretor-técnico do Grupo Hospitalar Conceição, Francisco Paz.