Nascido em Barão do Triunfo e radicado há vários anos em Viamão, o septuagenário Solon Kaiser vem mesmo de longe. Seu nome circula entre os produtores desde o final da década de 1960 quando vendida hortifrútis a céu aberto na Praia de Belas, bairro onde funcionava a Ceasa antes de a atividade comercial ser transferida no começo da década seguinte para a zona norte da Capital.

Geada, como é conhecido, por causa de insuspeitos cabelos brancos, está no entreposto do bairro Anchieta há mais de 40 anos comercializando hortaliças, batendo papo e fazendo amigos.

No módulo 35-D do Pavilhão dos Produtores, o mix de folhosas do agricultor é prato cheio para quem gosta de incrementar a mesa com saladas. Tem couve, radite, agrião, espinafre, rúcula e tempero verde. Solon vende 1,5 mil molhos de hortaliças por semana. Semana que para ele tem quatro dias, já que quarta-feira é o seu domingo. Dia de folga. Ou quase isso.

— Nesse dia eu fico trabalhando na Chácara — admite o agricultor que não descansa nem em dia de repouso.

Produtor destaque da semana, “Cabeça Branca” (outro de seus apelidos) divide a lida na lavoura com a esposa. O casal tem duas filhas, uma advogada e uma dona de casa. Depois de tanto tempo, Solon olha para trás com orgulho sem perder a vista do horizonte. E, aos 70 anos, não pensa em se aposentar tão cedo. Quando alguém toca no assunto, ele explica o motivo que o faz continuar extraindo da terra o alimento que alimenta a todos nós.

— Se parar de trabalhar, eu morro. Gosto muito disso aqui e de pescar — revelou, apontando para os molhos de folhas de couve perfilados em cima de caixas improvisadas como expositores.

Na “Pedra”, como todos chamam o GNP, Solon Kaiser aprendeu que tempo é dinheiro e que acordar antes do sol nascer pode ser mesmo um bom negócio.

Por Mauro Lopes