A Vara de Execuções Criminais (VEC) determinou a interdição do Presídio Central de Porto Alegre, por 15 dias, em função do avanço do coronavírus. A cadeia é a maior do Rio Grande do Sul e abriga 4.160 presos em espaço projetado para 1,8 mil, segundo dados de abril da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe). O primeiro caso de coronavírus na instituição foi confirmado no dia 16 de julho.

A juíza afirma que visitou o presídio na segunda (20) e constatou que “mais de um apenado já se encontra com sintomas de covid-19, bem como alguns já foram testados positivo para o vírus”. Ela ainda diz que o médico da cadeia esclareceu que “quando mais de um preso, em mais de uma galeria, está contaminado, é indicação de que o vírus já está na casa prisional e pode se alastrar rapidamente”.

A magistrada também diz que o presídio “não possui local disponível para atender uma grande demanda de presos com covid, que necessitam de isolamento e medicação, sendo que somente algumas áreas da CPPA (sigla de Cadeia Pública de Porto Alegre, nome oficial do presídio) foram disponibilizadas para tal fim”.

“Tal interdição tem como finalidade apurar, com a maior precisão possível, os presos que já estão contaminados, evitando que novos apenados que adentrem o estabelecimento também se contaminem, o que causaria uma grande demanda de atendimento, inclusive hospitalar em alguns casos, sendo que não há leito suficiente e tampouco local de isolamento”, afirmou Sonáli. 

A juíza ainda pondera que “todos os hospitais estão trabalhando com uma enorme demanda, estando o sistema de saúde já sobrecarregado” e que “o hospital de campanha prometido pela Susepe não foi construído”. 

A VEC também levou em consideração a estrutura do presídio. O Central possui pavilhões com galerias, sem separação por cela, sendo que as mais lotadas tem mais de trezentos presos recolhidos. “Assim, a contaminação em massa na CPPA seria, no mínimo, desastrosa e em proporções incontroláveis”,  avançou a magistrada. 

A decisão judicial coloca um prazo de 15 dias para que seja avaliado se o presídio já tem condição de ser desinterditado.

Fonte: GauchaZH