Depois de uma edição com portões fechados ao público e atividades online em 2020 em razão da pandemia, a Expointer volta este ano ao modelo presencial com a aposta de ser uma vitrine para demais eventos e feiras do setor agropecuário. Mas ainda não será uma volta à pleno. O recomeço terá visitantes limitados a 15 mil por dia e protocolos sanitários reforçados. Também não haverá bilheterias. A venda de ingressos será exclusivamente pela internet.  

A feira acontecerá de 4 a 12 de setembro no parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana. Somados os visitantes aos 10 mil expositores e trabalhadores, a circulação máxima de pessoas será de 25 mil ao dia. Na última edição antes da pandemia, em 2019, 416 mil pessoas cruzaram as catracas da Expointer. 

O acesso ao parque não exige que os visitantes estejam vacinados. Mas quem for para trabalhar precisará apresentar teste negativo para covid-19 no primeiro dia.  

– Vejo que vai ser uma Expointer de retomada econômica, de otimismo e também da vida – prevê a secretária estadual da Agricultura, Silvana Covatti. 

Animais no parque 

Principal atração da Expointer, os animais também voltam ao parque Assis Brasil dando sinais de retomada. Ao todo, 4.057 exemplares foram inscritos para participar da feira. Em relação à 2019, antes da pandemia, os números se mantêm, em média, quase no mesmo patamar (3.975). Este ano serão 1.232 exemplares de rústicos e outros 2.825 animais de argola. Em 2020, foram 1.019 de argola – os dados do ano passado para os animais rústicos não estão sendo considerados pela feira. O destaque da edição é a participação dos ovinos. Serão 810 ao todo, superando os 782 exemplares de 2019. 

O presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Leonardo Lamachia, comenta que o número de animais inscritos é “excelente” e reflete a força e o interesse dos criadores.   

– Não temos que medir a Expointer pelos critérios normais de público e de faturamento, e sim pela qualidade do que estará lá e pela feira estar sendo realizada sem interrupção – avalia Lamachia. 

Esta também é a primeira feira com o Rio Grande do Sul no status de livre de febre aftosa sem vacinação. A condição sanitária abriu as portas para a participação de animais de Santa Catarina e do Paraná, que compartilham do mesmo status. Outros quatro Estados trarão exemplares para a Expointer: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. 

Máquinas em retomada 

O sentimento de que a feira será um marco para retomada dos negócios no Rio Grande do Sul é compartilhado pelo setor de máquinas agrícolas. Serão 85 empresas expondo o seu maquinário no parque. No ano passado, a exposição foi totalmente digital. 

– Estamos ainda no meio da pandemia e, mesmo assim, com esforço gigantesco, conseguimos trazer tantas empresas – celebra o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers), Claudio Bier.  

Com o setor em alta por grande safra e bons preços, há expectativa de boas vendas. Bier projeta que o valor negociado possa chegar a R$ 1 bilhão – em 2019, a intenção de vendas das máquinas alcançou R$ 2,69 bilhões. 

Agricultura familiar 

Uma importante conquista da Expointer em 2021 é a volta do Pavilhão da Agricultura Familiar em formato mais próximo ao realizado antes da pandemia. Isso porque, em 2020, as vendas ocorreram somente por drive-thru, com apenas 52 estandes. Neste ano, serão 210 boxes e 228 agroindústrias presentes. 

– Vai ter vida no parque – comemora o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva.  

O acesso ao pavilhão será controlado. Catracas serão instaladas para registrar a entrada e a saída de visitantes. O número será medido por cercamento eletrônico e exibido em painéis. Quando chegar ao limite de 800 pessoas no espaço, o acesso será bloqueado até que ocorra uma baixa. 

Em virtude da restrição diária de público, a perspectiva de vendas é incerta.  

– Os agricultores estão vindo sem saber quanto vão vender porque não sabemos como será a movimentação sem as excursões, por exemplo. Mas estão cientes de que o importante é retomar e ter esse canal possível – diz Joel. 

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