Ao menos 32 cidades do Rio Grande do Sul já adotaram o chamado passaporte vacinal, que consiste na apresentação da carteirinha de vacinação contra a covid-19 para o acesso a atividades coletivas ou ambientes públicos. O levantamento aparece na mais recente pesquisa feita junto a prefeitos pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

O número corresponde a 8,2% dos 392 municípios gaúchos que foram procurados na pesquisa. Como nem todos são ouvidos, é possível que haja mais cidades que já tenham adotado o passaporte da vacina no Estado.


A lista das cidades que adotam o passaporte vacinal não é informada pela CNM. A entidade entende que a divulgação poderia inibir os prefeitos na resposta de novas pesquisas.

– Não só apoiamos o passaporte vacinal, mas também tentamos convencer os municípios a adotá-lo. Há municípios que adotaram o passaporte de vacinação e tiveram aumento nos índices. Quer ir em jogo de futebol, em um casamento, em uma palestra? Tem que se vacinar – defende o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.


O presidente da entidade também avalia que parte dos prefeitos descarta o uso do passaporte de vacinação em suas cidades por alinhamento ideológico com o presidente Jair Bolsonaro, que já se manifestou contra essa exigência da imunização.


– Parte dos prefeitos é por alinhamento com o governo (federal) – avalia Ziulkoski.


Bagé, na região da Campanha, é uma das cidades gaúchas que têm restrições aos não vacinados. Um decreto municipal assinado em agosto determina que o acesso a eventos é exclusivo a quem comprovar que tomou ao menos uma dose. Na avaliação do prefeito, Divaldo Lara, a exigência de comprovante de vacinação aumentou a adesão à imunização e garante o interesse coletivo.


– É uma responsabilidade coletiva. Uma pequena parte, ao não se vacinar, está colocando em risco a vida dos outros. Aqui em Bagé, (o passaporte) funcionou bem. Não tivemos problemas com a população, inclusive foi um acordo feito com os empresários – afirma Divaldo Lara, prefeito de Bagé.

Passaporte da vacina é mais usado no Norte e Nordeste

A adoção do passaporte vacinal em Santa Catarina tem percentual levemente superior ao do Rio Grande do Sul. Entre os municípios pesquisados no Estado vizinho, 8,8% já adotaram a estratégia.


Quando a comparação é entre as regiões do país, o Norte está no topo, com 20,7% dos municípios consultados utilizando o passaporte vacinal. Na sequência, aparece o Nordeste (15,6%) e o Centro-Oeste (12%). O Sul está no fim da fila, com 9,5% – à frente apenas do Sudeste, com 6,6%.


O resultado geral da pesquisa mostra que ao menos 249 cidades brasileiras (ou 10,1% daquelas que foram consultadas) já adotaram alguma restrição aos não vacinados. O levantamento foi realizada entre 20 e 23 de setembro com 2.461 prefeitos. A pergunta enviada aos gestores foi: “No seu município já foi editado decreto ou similar para a obrigatoriedade da vacinação para que se possa frequentar lugares públicos coletivos?”.

Menos da metade das cidades mantém restrições no RS

A autodeclaração dos prefeitos também indica que 45,9% das cidades gaúchas mantêm algum nível de restrição à circulação de pessoas ou para atividades econômicas. Dos 392 municípios ouvidos no Estado, 180 disseram seguir com restrições, enquanto a maioria disse não adotar qualquer limitação, atualmente.


Sobre a aplicação da terceira dose em idosos, 75,8% dos prefeitos gaúchos consultados dizem já ter iniciado essa etapa da campanha de imunização. Outros 23,7% responderam que a dose de reforço ainda não está disponível.


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